A NOVA TORRE DE BABEL: CONECTIVIDADE E MUNDO CIBERNÉTICO

O mito da Torre de Babel, narrado no Gênesis, fala de um tempo em que a humanidade, unida por uma só língua, tentou edificar uma torre que alcançasse o céu. Como resposta à ousadia humana, Deus confundiu suas línguas e dispersou os povos. Esse mito, que simboliza tanto a busca de poder quanto os limites da comunicação, ressurge hoje em um novo cenário: o ciberespaço.

 

Na era digital, recriamos uma nova Babel — uma torre invisível construída não com tijolos, mas com dados, redes, algoritmos e conexões globais. A internet, com seu potencial de unir vozes, culturas e saberes, representa uma linguagem comum da humanidade. No entanto, quanto mais alta essa torre se ergue, mais evidentes se tornam os riscos estruturais que ela carrega.

 

Os riscos cibernéticos são os “novos ventos” que ameaçam derrubar essa torre contemporânea. Invasões a sistemas críticos, manipulação de informações, espionagem digital, fraudes e o uso maligno da inteligência artificial são exemplos das vulnerabilidades que emergem da própria interligação global. Quanto mais interdependente se torna o mundo, mais impactante é a falha de uma parte sobre o todo.

 

A fragmentação, que outrora foi castigo divino, hoje se apresenta como consequência técnica e política. A multiplicação de códigos, sistemas e interesses torna difícil a governança e a segurança cibernética. Estados, corporações e indivíduos falam linguagens distintas no ambiente digital, criando uma nova confusão: não de palavras, mas de protocolos, intenções e valores.

 

A Torre de Babel cibernética nos ensina que o desafio não está apenas em construir tecnologias poderosas, mas em saber lidar com seus limites éticos, seus riscos coletivos e sua governança. O colapso não vem da ausência de progresso, mas da ilusão de que a tecnologia, sozinha, bastaria para sustentar o céu.