PSICOSSEXUALIDADES HOJE

UMA REFLEXÃO SOBRE O MASCULINO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
Gley P. Costa
Da mesma forma que não podemos subestimar a importância das identificações, do conflito e dos sintomas nas manifestações da sexualidade dos indivíduos, para além das homo e heterossexualidades, tanto quanto das vicissitudes do difícil processo de separação-individuação, também precisamos relevar os avanços da epigenética que, nos últimos anos, tem ampliado o conhecimento sobre o campo das relações humanas. De acordo com esses avanços, em que se destaca o fenômeno da metilação, com a formação de epimarcas ancoradas junto aos genes responsáveis pela sensibilidade à testosterona – capazes de masculinizar o cérebro de meninas ou afeminar o de meninos – a antiga visão do sexo como um binário condicionado pelos cromossomas XX ou XY, passa a ser questionada.
Além disso, existem evidências científicas mostrando que hábitos da vida e o ambiente social em que o indivíduo se encontra inserido podem modificar o funcionamento de seus genes, e investiga-se atualmente o caráter hereditário dessas modificações. Por conta disso, a sexualidade e o gênero, necessariamente, devem ser enfocados mediante a combinação de diversas disciplinas. Nessa linha, podemos ainda nos perguntar se não caberia levar em consideração o conceito de “pensamento complexo”, o qual nos permite concluir que a unificação e a homogeneização no amplo campo dos relacionamentos sexuais são ilusões que excluem o respeito pelas diversidades e pelas heterogeneidades.


