FREUD E SEUS FILÓSOFOS

TÍTULO: EROS: O MITO E A METÁFORA

TEXTO: Sem dúvida, Platão não mereceu de Freud o reconhecimento conferido a Schopenhauer e Nietzsche, os filósofos que valorizaram a vontade.  A rigor, foi pequena a influência dos filósofos gregos em suas reflexões sobre a condição humana. De maneira geral, Freud buscou neles um certo aval para temas específicos de sua investigação clínica, sem a preocupação de uma correlação exata.  Na  verdade, Freud procurava deixar claro que a psicanálise não tinha suas raízes na especulação filosófica, mas em uma base científica, corroborada pela experiência clínica.   Contudo, ao longo dos 24 volumes da edição inglesa de suas obras completas, totalizando quase 8 mil páginas, encontramos 12 referências a Platão, sendo duas de A República, em seu estudo sobre os sonhos, de 1900, e as demais de O Banquete, livro no qual destaca o discurso de Aristófanes, visando embasar sua original teoria pulsional.

Gley P. Costa

* Médico psiquiatra e psicanalista, professor de cursos de pós-graduação e escritor.