ARMAS SÃO PARA MATAR

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL ZERO HORA

EM 04 DE FEVEREIRO DE 2022

        O ser humano nasce dotado de duas forças instintivas antagônicas que buscam descarga: amor e destrutividade, também denominadas pulsão de vida e pulsão de morte, respectivamente. Essas duas forças encontram uma saída criativa para as relações humanas quando se mesclam de uma forma em que a primeira consegue colocar a segunda a seu serviço. Contudo, em função de uma variedade de fatores internos e externos agindo sobre o anímico, entre os quais se inclui a educação, parte da destrutividade pode permanecer não mesclada, portanto, livre. Nesse caso, o indivíduo tenderá a apresentar uma conduta de pura agressividade. 

A evidência dessa dotação destrutiva do ser humano encontra-se representada na cultura pela permanência das guerras, quando as nações, por razões na maioria das vezes falsas, mas sempre injustificadamente, obrigam aos seus filhos a participarem de um ritual fraticida. Einstein, que considerava o serviço militar uma educação para a guerra, equiparou cada indivíduo armado em uma sociedade a uma célula potencialmente destrutiva. Desde os tempos romanos repete-se a frase Si vis pacem para bellum (Se queres a paz, prepara-te para a guerra), a qual implica uma contradição semântica que visa a eludir o verdadeiro objetivo de se preparar para a guerra: matar pessoas.   

No plano individual, ao adquirir uma arma com o pretexto de se proteger, a pessoa busca primariamente satisfazer sua pulsão de morte, a qual será por fim atendida quando ela  deparar, geralmente à seus critério, com um motivo justo. Alguns se satisfazem atirando contra animais, outros contra o desenho de uma figura humana.  Não podemos fugir dessa realidade: armas são feitas para destruir, não para amar, embora o amor muitas vezes seja utilizado como desculpa para matar. Contribuímos para o desenvolvimento da humanidade quando agimos em favor do desarmamento, da hospitalidade e da aceitação das diferenças.